RIO DE JANEIRO, Brasil, 11 de fevereiro de 2026 — A resistência antimicrobiana (RAM) é uma crise de saúde global em rápida expansão que ameaça um dos pilares fundamentais da medicina moderna: nossa capacidade de tratar infecções bacterianas graves com antibióticos eficazes. Em todo o mundo, as infecções resistentes a medicamentos contribuíram para 1,27 milhão de mortes em 2019. Em toda a América Latina e no Caribe, a resistência continua a crescer, com projeções estimando que mais de 13 milhões de mortes entre 2025 e 2050 estarão associadas à RAM. Somente no Brasil, as infecções resistentes a medicamentos têm sido associadas a mais de 30 mil mortes anuais desde 1990, ressaltando a necessidade urgente de ações sustentadas e coordenadas.
Nesse contexto, a Global Antibiotics Research & Development Partnership (GARDP), juntamente com a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), saúda a liderança do Brasil no desenvolvimento do novo projeto de Plano de Ação Nacional para a prevenção e o controle da resistência antimicrobiana (PAN BR 2026-2030). Como duas organizações dedicadas ao desenvolvimento de tratamentos que salvam vidas e protegem a saúde das pessoas, elogiamos veementemente o compromisso do governo em combater a RAM por meio deste plano ambicioso e voltado para o futuro.
No feedback enviado por meio da consulta nacional, enfatizamos que uma governança e coordenação sólidas são essenciais para impulsionar uma resposta abrangente, que reúna diversos conhecimentos científicos, regulatórios, clínicos e da sociedade civil. Como uma fundação sem fins lucrativos dedicada à pesquisa e desenvolvimento e acesso a tratamentos para combater a RAM, a GARDP colocou-se à disposição para integrar o Grupo Técnico de RAM proposto pelo Comitê Interministerial One Health, bem como do Comitê Científico, para compartilhar a experiência de seu trabalho no Brasil e globalmente. Juntamente com a DNDi, também apoiamos o estabelecimento de um programa nacional dedicado — com base nas lições aprendidas com o HIV, a tuberculose e a malária — para permitir uma abordagem coordenada e de longo prazo que abranja a prevenção, o diagnóstico oportuno, o acesso a tratamentos e a gestão responsável.
Atualmente, muitos dos antibióticos mais importantes do mundo, especialmente os tratamentos de Reserva para infecções resistentes, continuam fora do alcance de grande parte da população global. A falta de acesso a novos tratamentos aumenta a disseminação de patógenos resistentes, criando um ciclo em que as infecções se tornam cada vez mais difíceis de tratar. Essa também é a realidade no Brasil, especialmente no setor público, onde há disponibilidade limitada de antibióticos para quem deles necessita. Por esse motivo, a GARDP e a DNDi incentivam o Brasil a incorporar o acesso equitativo a antibióticos novos e existentes em seu plano nacional.
A criação do Comitê Científico oferece uma oportunidade fundamental para promover pesquisas que apoiem tanto a inovação quanto o acesso — desde novos modelos de tratamento até pesquisas operacionais que ajudem a otimizar o uso de antibióticos na prática clínica. Também pedimos novos padrões de fabricação robustos para a produção nacional e internacional, observando que a contaminação ambiental pode estimular a disseminação de patógenos resistentes.
Por fim, a introdução bem-sucedida de novos antibióticos nos sistemas de saúde requer planos e protocolos claros. O Brasil já demonstrou liderança por meio de sua colaboração com a GARDP, com o objetivo de acelerar o acesso futuro ao cefiderocol, um antibiótico de Reserva usado para tratar infecções bacterianas graves resistentes a medicamentos em instalações de saúde. Com base nessa experiência, será importante padronizar, em nível nacional, os protocolos terapêuticos para antimicrobianos de Reserva, garantindo que médicos em todo o país tenham as ferramentas necessárias para usar novos tratamentos com segurança e eficácia, uma vez que estejam disponíveis.
Estamos prontos para apoiar o Brasil a colocar este plano em ação em prática, incentivando a adoção de recomendações que fortalecerão ainda mais a governança, a pesquisa, a fabricação, a gestão e o acesso a antibióticos que salvam vidas — especialmente aqueles necessários para tratar infecções resistentes. Continuamos comprometidos em trabalhar com o Brasil para avançar nessa agenda crítica e juntos por um futuro em que todos, em todos os lugares, tenham acesso a tratamentos eficazes que salvam vidas e retardam a disseminação da resistência antimicrobiana.
Sobre a GARDP
A GARDP (Global Antibiotics Research & Development Partnership) é uma organização de saúde global sem fins lucrativos dedicada a proteger as pessoas contra o aumento e a disseminação de infecções resistentes a medicamentos, uma das maiores ameaças para todos nós. Ao formar parcerias públicas e privadas importantes, desenvolvemos e disponibilizamos tratamentos antibióticos para as pessoas que precisam deles. www.gardp.org
Sobre a DNDi
A iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) é uma organização sem fins lucrativos de pesquisa médica que descobre, desenvolve e fornece tratamentos seguros, eficazes e acessíveis para populações negligenciadas. A DNDi está desenvolvendo medicamentos para a doença do sono, leishmaniose, doença de Chagas, oncocercose, filariose linfática, esquistossomose feminina, micetoma, dengue, HIV pediátrico, meningite criptocócica e hepatite C. Suas prioridades de pesquisa incluem saúde infantil; equidade de gênero e P&D sensível ao gênero; e doenças afetadas pelas mudanças climáticas. Desde a sua criação em 2003, a DNDi tem colaborado com parceiros públicos e privados em todo o mundo para fornecer treze novos tratamentos para seis doenças mortais, salvando milhões de vidas. Para mais informações, visite: dndial.org