Dia Mundial da Doença de Chagas: instituições e comunidades se unem na Colômbia para ampliar o cuidado

Dia Mundial da Doença de Chagas: instituições e comunidades se unem na Colômbia para ampliar o cuidado

Em comemoração ao Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado em 14 de abril, o Ministério da Saúde da Colômbia (MS) promoveu um encontro sob o lema “Mulheres no coração do cuidado: rumo a gerações livres da doença de Chagas”. O evento reuniu representantes da DNDi, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Instituto Nacional de Saúde (INS) e de secretarias de saúde, além de lideranças comunitárias, academia, profissionais de saúde, associações científicas e organizações da sociedade civil.

A escolha do tema reflete uma mudança importante no perfil da doença. Além das formas de transmissão vetorial — pelo inseto “barbeiro” infectado pelo parasita Trypanosoma cruzi — oral e transfusional, a transmissão congênita (de mãe para bebê) vem ganhando relevância na região.

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de seis milhões de mulheres em idade fértil vivem na Colômbia. Estimativas da OPAS indicam que cerca de 405.300 pessoas vivem com a doença, o que corresponde a uma prevalência de 0,84 por 100 habitantes. Entre os casos estimados, 103.984 correspondem a mulheres entre 15 e 44 anos, e estima-se aproximadamente 809 casos anuais de transmissão congênita.

“Pela primeira vez, os casos de transmissão materno-infantil superam os casos vetoriais reportados pelos países das Américas”, afirmou Héctor Coto, assessor regional da OPAS. “É preciso integrar a doença de Chagas nas plataformas de saúde materno-infantil para avançar no diagnóstico e no tratamento oportuno.”

A Colômbia vem apresentando avanços nesse cenário. De acordo com o MS, o fortalecimento das testagens em gestantes permitiu aumentar a cobertura, passando de 4,27% em 2019 para 58,53% em 2024. Também houve progresso na redução da lacuna terapêutica, ou seja, a diferença entre as necessidades de tratamento de uma população e o acesso efetivo a essas terapias. Um estudo liderado pela DNDi América Latina, em parceria com o Ministério da Saúde, revelou uma redução dessa lacuna no país desde 2015.

“A Colômbia tem se destacado na redução dessa lacuna, com avanços sustentados no acesso ao tratamento. Embora ainda haja desafios, a tendência de redução progressiva mostra o impacto das estratégias de diagnóstico e atenção”, destacou Rafael Herazo, médico referente de acesso para doença de Chagas da DNDi América Latina.

Liderazgo femenino

Ainda no tema do encontro, representantes do INS e da OPAS reforçaram o papel transformador das mulheres, destacando como elas têm conquistado espaço na saúde pública e na liderança comunitária. A liderança social Gloria Yate compartilhou sua trajetória após o diagnóstico. Hoje, ela lidera a Apachafi, associação que apoia pessoas e famílias que vivem com a doença.

Alianza con comunidades indígenas

O evento também promoveu um encontro entre o vice-ministro da Saúde, Jaime Urrego, e o povo da comunidade Wiwa, representado pelo secretário de saúde, José Dimas, acompanhado por Odalis Torres, da Dusakawi IPSI.

Em 2024, uma iniciativa desenvolvida em parceria entre a DNDi, o Ministério da Saúde, autoridades locais e organizações indígenas levou diagnóstico e tratamento da doença de Chagas à comunidade por meio de uma abordagem baseada em “rotas interculturais”, que integram saberes tradicionais às estratégias de saúde. “Esse enfoque intercultural permite a troca de conhecimentos entre a medicina ocidental e a medicina tradicional indígena. Isso fortalece a confiança da comunidade no sistema de saúde”, destacou José. Ao final do evento, o secretário entregou ao vice-ministro um documento que resume o impacto da implementação das rotas interculturais.

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