O Quênia se tornou o primeiro país africano a integrar a Aliança Dengue, com a entrada do Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (KEMRI, na sigla em inglês) na parceria global dedicada ao avanço das pesquisas sobre tratamentos para a dengue. A adesão do país à Aliança foi anunciada oficialmente durante uma reunião realizada em 27 de outubro, em Kuala Lumpur, na Malásia.
Criada em 2022, a Aliança Dengue reúne instituições de pesquisa de países onde a doença é endêmica para acelerar o desenvolvimento de tratamentos seguros, eficazes, acessíveis e a preços viáveis. Seus integrantes incluem a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) e instituições de pesquisa do Brasil, da Malásia, da Índia e da Tailândia. Agora, o Quênia passa a fazer parte dessa colaboração internacional.
“A dengue é uma preocupação crescente de saúde pública na África, mas seu verdadeiro impacto ainda é subestimado devido à subnotificação de casos e à falta de diagnósticos. Por meio da Aliança Dengue, o KEMRI contribuirá com conhecimentos especializados e evidências científicas da África para fortalecer os esforços globais em pesquisa, vigilância, diagnóstico e manejo clínico da dengue”, afirmou o Dr. Erick Muok, diretor interino de Pesquisa e Desenvolvimento do KEMRI.
A entrada do novo integrante ampliará o alcance geográfico e científico da Aliança, abrindo novas possibilidades para pesquisas sobre tratamentos tão necessários contra a dengue e contribuindo para que pacientes do continente africano sejam priorizados em estudos futuros.
“Estamos muito satisfeitos em receber o KEMRI na Aliança Dengue. Sua experiência em pesquisa clínica, diagnóstico, vigilância e resposta a surtos ajudará a garantir que as pesquisas sobre dengue considerem as necessidades das populações afetadas na África”, afirmou o Dr. André Siqueira, chefe do Programa Global de Dengue da DNDi. “A dengue já não é uma doença restrita às regiões tradicionalmente endêmicas, e seu enfrentamento exige cooperação global. Embora tenhamos observado avanços importantes no desenvolvimento de vacinas e no controle do vetor, ainda não existe um tratamento específico para a dengue, e são necessárias mais pesquisas para superar essa lacuna fundamental”.
A expansão da Aliança Dengue ocorre em um contexto de preocupação crescente com a dengue como uma ameaça emergente à saúde pública na África, onde há um consenso cada vez maior de que o impacto da doença é substancialmente subestimado.
No Quênia, a dengue também vem se disseminando para novas áreas. Os quatro sorotipos do vírus da doença já foram detectados no país desde a primeira epidemia registrada, em 1982. Mais recentemente, foram identificadas transmissões para além das áreas costeiras tradicionalmente afetadas, incluindo regiões do norte e do oeste do Quênia, bem como áreas próximas às fronteiras com Uganda, Sudão do Sul e Etiópia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre janeiro e agosto de 2026, o Quênia registrou quase 10 mil casos, um aumento expressivo em relação aos 4.300 casos registrados em 2025 e aos 1.400 casos de 2024.
Estudos epidemiológicos recentes liderados pela DNDi, realizados no Senegal, em Gana e na República Democrática do Congo (RDC), também revelaram que a transmissão da dengue na África é mais disseminada do que se reconhecia anteriormente. Essa subnotificação pode dificultar o diagnóstico oportuno, a preparação para surtos e a alocação eficaz de recursos para prevenção e controle da doença. Os resultados detalhados desses estudos devem ser publicados no início de 2027 e contribuirão para fortalecer a base de evidências que orienta as políticas e a tomada de decisões sobre a dengue na África.
Os parceiros da Aliança também trabalham para enfrentar a falta de tratamentos específicos para a doença. Por meio de uma colaboração entre a DNDi e o Serum Institute of India, os parceiros estão avançando com um promissor candidato a tratamento contra a dengue em um ensaio clínico de Fase III, previsto para começar no início de 2027 no Brasil, na Tailândia e na Malásia. A Aliança também apoia pesquisas sobre outras abordagens terapêuticas, incluindo antivirais e terapias direcionadas ao hospedeiro.
Com sua experiência em doenças causadas por arboviroses, pesquisa clínica, diagnóstico, vigilância e estudos sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde, o KEMRI contribuirá para os esforços da Aliança no aprofundamento do conhecimento sobre a transmissão da dengue, na melhoria do diagnóstico e no desenvolvimento de novos medicamentos para as populações afetadas.
Sobre a DNDi
A iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) é uma organização sem fins lucrativos de pesquisa médica que descobre, desenvolve e disponibiliza tratamentos seguros, eficazes e acessíveis para populações negligenciadas. A DNDi desenvolve medicamentos para doença do sono, leishmaniose, doença de Chagas, doenças causadas por vermes parasitas, micetoma, dengue, meningite criptocócica, hepatite C e vírus com potencial pandêmico. Entre suas prioridades de pesquisa estão a saúde infantil, a equidade de gênero e a pesquisa e desenvolvimento com perspectiva de gênero, além de doenças impactadas pelas mudanças climáticas. Desde sua criação, em 2003, a DNDi colabora com parceiros públicos e privados em todo o mundo e já disponibilizou 17 novos tratamentos para seis doenças fatais, salvando milhões de vidas.
Sobre o KEMRI
O Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (KEMRI) é uma entidade pública criada nos termos de sua Carta constitutiva, que o estabelece como uma instituição de pesquisa em saúde com status especializado para conceder diplomas acadêmicos, conforme a Seção 24(1)(a) da Lei das Universidades do Quênia. Sua sede está localizada na KEMRI Headquarters, na via Raila Odinga, em Nairóbi. Endereço postal: P.O. Box 54840-00200, Nairóbi.