Em 2015, a DNDi lançou o Projeto de Acesso à Doença de Chagas para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento da doença. Em colaboração com parceiros locais, regionais e nacionais em diversos países endêmicos, a DNDi implementou uma série de projetos para testar novos modelos de cuidado centrados no paciente, com uma abordagem chamada de “testar e tratar”.
A nova abordagem centrada no paciente foi inicialmente implementada na Colômbia, em colaboração com o Ministério da Saúde e Proteção Social (MSPS), o Instituto Nacional de Saúde da Colômbia (INS) e outros parceiros, trabalhando conjuntamente para apoiar a implementação de um roteiro abrangente para o cuidado da doença de Chagas. Em sete departamentos colombianos onde a doença é altamente endêmica, os projetos ampliaram o acesso ao diagnóstico e ao tratamento por meio da capacitação de profissionais de saúde nas diretrizes mais atualizadas; da simplificação e aceleração dos processos de diagnóstico; e da descentralização do tratamento, tornando-o disponível mais próximo de onde vivem os pacientes. O mesmo modelo está sendo implementado na Guatemala, em três das dez áreas endêmicas do país.
O trabalho colaborativo realizado pelo MSPS da Colômbia, pelos sistemas locais de saúde e pela DNDi nas áreas do projeto gerou resultados robustos. Ao comparar o acesso ao cuidado da doença de Chagas antes e depois da implementação dos projetos-piloto, foram observadas diversas melhorias:
- O número médio de pessoas testadas anualmente aumentou quase cinco vezes, passando de 426 antes do projeto para 2.427 após sua implementação
- O número médio de casos detectados por ano aumentou de 37 para 262, permitindo que mais pessoas recebessem atendimento em tempo oportuno
- O tempo médio de espera para confirmação do diagnóstico diminuiu mais de 90%, passando de 258 para 19 dias
- O tempo médio entre a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento diminuiu mais de 60%, passando de 354 para 135 dias
Foram lançados outros projetos seguindo mesmo modelo na Guatemala, com parceiros locais e internacionais, e no Brasil, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz. Foram realizados seminários em Jutiapa, na Guatemala, no Rio de Janeiro e em Recife para identificar as principais barreiras e desenvolver ações que possam fortalecer o controle da doença e o acesso ao tratamento.
A DNDi e seus parceiros fizeram progressos significativos na avaliação do desempenho de testes diagnósticos rápidos em estratégias de testar e tratar na Guatemala e na Argentina, com estudos de pesquisa de implementação voltados para abordagens interculturais com início em 2025 na Colômbia, na Guatemala e na Argentina.
Em colaboração com o Center of Excellence for Chagas Disease (CECD) do Olive View-UCLA Medical Center, a DNDi publicou os resultados do primeiro estudo de prevalência em larga escala sobre a doença de Chagas em uma grande cidade dos Estados Unidos, descrevendo os achados do programa comunitário de triagem do CECD em Los Angeles. A DNDi é membro da US Chagas Network, que colabora ativamente para melhorar o acesso à saúde para pessoas que vivem com a doença de Chagas e promover a pesquisa e o desenvolvimento de novos tratamentos para a doença.